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Indústrias de base sofrem com a inércia das usinas | Assovale - Associação Rural Vale do Rio Pardo

Indústrias de base sofrem com a inércia das usinas

Há cinco anos se arrastando em uma crise ainda sem solução, as indústrias que fornecem equipamentos para usinas de cana-de-açúcar não veem mudança significativa nesse cenário neste ano. Seus clientes, as usinas de cana-de-açúcar, continuam na inércia quando o assunto é expansão da capacidade industrial e não há nada à frente que indique alguma mudança de direção.

O presidente da entidade que representa as empresas produtoras de equipamentos para usinas, a Ceise-BR, Antonio Eduardo Tonielo Filho, diz que a carteira de pedidos de suas associadas está sem nenhuma demanda significativa. Ele afirma que foi fraco até o movimento da entressafra, período em que as usinas param de operar e contratam reformas de maquinário para preparar a indústria para a temporada seguinte.

"A entressafra está acabando e a demanda foi fraca. Está havendo até demissão nessa indústria, justamente nesse período que costuma ser mais aquecido", afirma Tonielo Filho. Ele acrescenta que há elevados riscos até de fechamento de empresas a partir de junho.

Com a situação financeira afetada por baixos investimentos desde o fim de 2009, a Dedini Indústria de Base, a principal fornecedora de equipamentos do país, deve em 2014 faturar cerca de R$ 500 milhões, repetindo 2013 e bem abaixo dos R$ 2,2 bilhões registrados em 2008, auge dos investimentos em etanol no Brasil.

Diante desse quadro, a empresa veio reduzindo substancialmente seu quadro de funcionários, segundo o presidente da empresa, Sérgio Leme. "Nosso faturamento caiu 78% desde 2008. Desde então, reduzimos em cerca de 50% o número de funcionários", disse.

Conforme o executivo, em 2008, a companhia tinha 6,5 mil funcionários, e, com a demissão mais recente, de 147 pessoas em fevereiro deste ano, esse número caiu a 3,250 mil. "Nosso caixa está sendo afetado desde o fim de 2009. É preciso encontrar uma solução [para a crise] nos próximos 12 a 15 meses", afirmou Leme.

O presidente da Dedini afirma que a capacidade ociosa da fábrica está em 50%, nível que ele considera muito elevado. Isso se deve ao baixo interesse da indústria da cana em investir em aumento de capacidade. Há também, segundo ele, uma inadimplência da ordem de R$ 80 milhões - e que já foi de R$ 150 milhões - o que prejudicou as finanças da companhia, com sede em Sertãozinho (SP).
O corte de funcionários, afirma Leme, derivou da necessidade de adequação de gastos da empresa à geração de caixa. Ele afirmou que fez um acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba (SP) que prevê o parcelamento no pagamento das recisões.

Do faturamento de R$ 500 milhões registrado em 2013, 40% vieram de prestação de serviços, basicamente manutenção de equipamentos na entressafra da cana-de-açúcar, explica Leme. "Em 2008, a maior parte da receita vinha de venda de equipamentos e de novas usinas. A prestação de serviços representava apenas 15% do nosso faturamento", diz.

Mas, em 2013, em torno de 20% da receita tiveram origem na venda de equipamentos e 40% de venda de bens de capital para outros segmentos, como cervejarias. "O problema é que não é só o setor sucroalcooleiro que não cresce. O investimento em bens de capital segue baixo em muitos outros setores", avaliou Leme.

A captação de clientes em outros setores que não o sucroalcooleiro é a estratégia da Sermatec Zanini para voltar a crescer, após cinco anos patinando na crise das usinas de cana. Há sete meses no cargo de presidente da empresa, o executivo Dario Costa Gaeta, espera dobrar o faturamento em 2014, para R$ 400 milhões. Para isso, está adotando uma estratégia comercial mais agressiva que inclui a busca de clientes em outros setores, em especial, na cadeia de petróleo.

"Fizemos parcerias com multinacionais do setor petrolífero, mais especificamente, com as empresas fornecedoras de equipamentos para os novos projetos da Petrobras", afirmou Gaeta. O executivo afirmou que o faturamento com esse setor deve significar 20% da receita da empresa em 2014.

Mais otimista, Gaeta acredita que neste ano as usinas de cana-de-açúcar também vão manter investimentos em ampliação das unidades já existentes e ainda elevar a produtividade das plantas de cogeração. Na sua visão, o etanol de segunda geração também vai criar uma demanda adicional para a indústria de base. Ele afirma que a empresa já está fabricando equipamentos para os projetos de etanol celulósico já em andamento no país, com base em tecnologias desenvolvidas fora do Brasil. Mas que tambem está engajado em projetos para criar tecnologias novas para o etanol de segunda geração.

Gaeta afirma que já conseguiu levar a ociosidade da fábrica a 35% este ano, ante os 60% do ano passado, e afirma ver com bons olhos os próximos anos do setor. Apesar da crise que se arrasta desde 2008 no segmento, Gaeta acredita que o ciclo negativo vai se reverter, uma vez que o setor sucroalcooleiro no Brasil está aumentando seu déficit em relação à demanda. "Temos um mercado reprimida por etanol. Teríamos que construir uma usina de etanol por mês para atender à demanda dos próximos anos", afirmou o executivo ao Valor.

De acordo com ele, por enquanto, "essa conta" está sendo paga pela Petrobras, por meio de mais importação de gasolina para revenda no mercado brasileiro com prejuízo. "Mas a estatal não vai conseguir manter esse déficit por muito tempo. Uma hora essa bolha vai estourar e vamos precisar recuperar a capacidade para produzir mais etanol", afirmou Gaeta


Fonte: Valor

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