CTC SE PREPARA PARA UM FORTE CRESCIMENTO DE SEUS NEGÓCIOS

Embalado pelos bons resultados das últimas safras e confiante no sucesso comercial das variedades transgênicas que já desenvolveu e nas novidades que estão por vir nessa frente, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) se prepara para uma importante mudança de patamar dos negócios nos próximos anos. A transformação também passa pela realização de uma oferta inicial de ações na B3, prevista para ocorrer até o fim de 2021, mas que poderá ser acelerada e acontecer já nos próximos meses.

Depois de novamente crescer mais de 30% no ciclo 2019/20, quando sua receita se aproximou de R$ 245 milhões e as variedades convencionais de seu portfólio cobriram 18% da área total ocupada por canaviais no país (1,7 milhão de hectares), o CTC manteve o pé no acelerador e iniciou a temporada 2020/21, em abril, com avanços expressivos em seus principais indicadores.

Segundo balanço divulgado na sexta-feira, a empresa obteve lucro líquido de R$ 18,7 milhões no primeiro trimestre da safra, 149,7% mais que em igual intervalo do exercício 2019/20. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) aumentou 100,2% na comparação, para R$ 35,1 milhões, e a receita líquida da empresa registrou alta de 30,9%, para R$ 64,2 milhões.

Conforme Gustavo Leite, CEO do CTC, não houve mágica para garantir os crescimentos observados. Mas, em meio ao aumento da remuneração das usinas do Centro-Sul do país com as vendas de açúcar, em parte por causa do câmbio - e apesar dos problemas enfrentados pelo segmento no mercado doméstico de etanol, ainda afetado pela demanda mais baixa em tempos de pandemia -, as ações da companhia para a ampliação de sua participação no campo continuaram a surtir efeito.

Ao Valor, Leite realçou que, nas áreas de cultivos novos de canaviais no país, a participação de mercado das variedades convencionais desenvolvidas pelo CTC já chegou a 38%. Tais variedades são, em geral, adaptadas às condições do Centro-Sul do país, o que não deixa de sinalizar que há todo um potencial no Nordeste ainda a ser explorado.

Essa “lacuna” poderá começar a ser preenchida com as duas variedades geneticamente modificadas que já estão em sendo testadas por diversas usinas, por uma terceira que também já foi aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e por seis novas que deverão sair de seus centros de pesquisas até o ano que vem.

A primeira família de variedades transgênicas, lançada em 2017, apresenta resistência à broca, praga que gera perdas calculadas em R$ 5 bilhões nos canaviais, e ocuparam 12 mil hectares espalhados por mais de 100 usinas em 2019/20. Sem deixar a broca de lado, chegou a vez das variedades tolerantes ao bicudo, outra praga que provoca prejuízos bilionários aos produtores.

“Cana é coisa de brasileiro. No passado, multinacionais chegaram a olhar para essa área, mas abandonaram seus projetos. Se não fizermos, ninguém vai fazer”, diz Leite, lembrando que o CTC passou a investir também em biotecnologia há oito anos. “Estamos tirando o atraso e construindo o que estará no mercado em dez anos. É uma revolução para a produtividade do setor”.

Leite não teme problemas comerciais na venda de açúcar brasileiro de cana transgênica no exterior. Afirma que manifestações negativas recentes como a de clientes do Canadá são exceções e estão sendo resolvidas, e revela que tem conversado com indústrias de alimentos e bebidas sem encontrar problemas.

Para avançar, contudo, o CTC precisa de recursos para elevar investimentos, e é aqui que entra o IPO. Leite não dá detalhes sobre o processo, mas reconhece que há pressões para que a empresa antecipe a oferta inicial de ações do fim de 2021 para os próximos meses - a companhia é listada no Bovespa Mais desde 2015. Controlada por cerca de 90 grupos sucroalcooleiros, entre os quais Copersucar - que é a sua origem -, Raízen, São Martinho, Tereos, Coruripe e Bunge, o CTC também tem em seu capital participação de quase 19% da BNDESPar.

Fonte: Valor Econômico

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