EMBRAPA E CTC CRIAM ´COQUETEL DE ENZIMAS

Uma descoberta feita por pesquisadores da Embrapa Agroenergia e do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), mantido pelo iniciativa privada, poderá impulsionar no país a produção de etanol de segunda geração (E2G), o chamado etanol celulósico. Os cientistas desenvolveram uma mistura de enzimas totalmente nacional, batizada de Coquetel Enzimático CMX, capaz de promover a transformação da celulose da biomassa (bagaço ou palha da cana) na glicose que vai resultar no biocombustível.

Atualmente, essas enzimas são importadas e custam caro para a indústria nacional, que ainda não decolou - apenas duas empresas produzem etanol de segunda geração no país. A Embrapa analisou a viabilidade econômica da tecnologia e aponta que a adoção do coquetel nacional em uma usina com capacidade de produção anual de 70 mil toneladas de E2G pode gerar ganhos de cerca de R$ 50 milhões.

"O custo é muito mais baixo. É uma alternativa em um mercado monopolizado", diz Rosana Guiducci, economista da Embrapa Agroenergia. Enquanto a enzima importada custa R$ 30 mil por tonelada, a nacional pode ficar em R$ 9 mil.

O Brasil importou 30 mil toneladas de enzimas em 2019, e as usinas que apostam no celulósico arcaram com custos com concentração e estabilização para o armazenamento e transporte. "A indústria tem a possibilidade de redução de 70% do custo de produção com a incorporação no modelo integrado para produzir a própria enzima", afirma Guiducci.

O trabalho da Embrapa e do CTC também apontou que, caso uma usina financiasse todo investimento de pesquisa e desenvolvimento dessa tecnologia, teria uma taxa interna de retorno (TIR) de 19,2% e um valor presente líquido (VPL) de R$ 76,69 mil em 20 anos.

O Coquetel CMX consegue converter 49% da celulose da biomassa em glicose, ante 71% do produto mais utilizado atualmente. "O coquetel tem características que o diferenciam e tem potencial. Vamos trabalhar para aumentar essa conversão", diz a pesquisadora Léia Fávaro.

O coquetel é uma mistura de enzimas que atuam de forma combinada e complementar para desconstruir o bagaço ou a palha da cana para se obter o açúcar, que posteriormente vira etanol. A maioria foi obtida a partir de microrganismos da biodiversidade brasileira - como fungos, preservados por uma coleção da Embrapa Agroenergia. Outros são transgênicos.

O avanço na pesquisa nessa área abre caminho, segundo as especialistas, para colocar o país no mercado global de produção de enzimas, que deve girar US$ 1 bilhão em 2020. O coquetel também pode ser aplicado nas indústrias de rações e têxtil.

A Embrapa Agroenergia ainda busca parceiros para testar a mistura em escala comercial e a expectativa é que o coquetel chegue ao mercado em até oito anos. A patente foi requerida em novembro do ano passado. A pesquisa foi financiada pelo BNDES e pelo CTC e custou quase R$ 14 milhões desde 2015.


Fonte: Valor Econômico

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