CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS E DOENÇAS CRESCE 20% AO ANO NO BRASIL

O consumidor quer, a oferta de produtos biológicos cresce e a tendência é de evolução contínua.
O que virá após a pandemia provocada pela Covid-19 ainda é totalmente incerto. No que se refere à alimentação, porém, as exigências serão bem maiores quanto aos meios de produção e à qualidade dos alimentos.

Uma das saídas para a produção de alimentos será o aumento de produtos biológicos. É o que já vem ocorrendo. O uso desses produtos no controle de pragas e de doenças cresce, em média, 20% ao ano no Brasil e 7% no mundo.

O consumidor quer, o produto é eficiente e há uma complementaridade entre biológicos e químicos. A avaliação é de Matheus Almeida, analista sênior de insumos do Rabobank, que vê uma transformação nesse mercado de controle biológico.



Segundo ele, há uma aceleração de uma tendência e o produtor começa a ter uma visão de longo prazo, tanto para a redução de custos como para a busca de uma sustentabilidade na produção.

Esse mercado movimentou R$ 465 milhões em 2018 no Brasil, segundo a ABCBio (Associação Brasileira das Companhias de Controle Biológico).

Almeida diz que o número de produtos disponíveis vem crescendo, é maior o uso de tecnologia no setor e mais empresas participam desse mercado. O resultado é que já há produtos para o combate de pelo menos 120 pragas e doenças.

Para o analista do banco, vários fatores estão levando os produtores a adotarem cada vez mais os produtos biológicos. Uma delas é o aumento dos custos no controle de pragas, doenças e plantas invasoras nas lavouras nos últimos anos.

No caso da soja, esse combate, que representava 25% dos custos há uma década, supera 30% atualmente. No caso do algodão, a participação era de 35% e está próxima de 50%.

Além dos custos, há também uma preocupação com os riscos não financeiros. A sustentabilidade, que pode dar garantias de uma continuidade da atividade no futuro, é outra.

A oferta de produtos no mercado também cresceu ampliando a possibilidade de uso pelos produtores. Até 2014, os produtores tinham à disposição 27 ingredientes ativos biológicos e semioquímicos no mercado.

De 2015 a 2019, foram registrados 40 novos ativos entre micro e macro biológicos, extratos e feromônios. No final de 2019, eram 256 produtos registrados, abrangendo combates a insetos, fungos, nematoides e broca da cana-de-açúcar, entre outros.

Os investimentos no setor aumentam. De 2015 a 2019, 40 novas empresas colocaram no mercado seu primeiro produto. Atualmente já são 80 empresas registradas, entre elas gigantes do setor de produção de defensivos químicos.

Na avaliação de Almeida, o futuro para o setor de biológicos é promissor, mas há alguns desafios, como o aprendizado na utilização.

Há poucas consultorias familiarizadas com o processo, principalmente na combinação da utilização de químicos com biológicos.

O tamanho da propriedade também interfere na utilização dessa nova tecnologia. O monitoramento e o momento certo da utilização dos biológicos são essenciais, o que às vezes fica difícil em grandes propriedades.

O Brasil é responsável por 10% do mercado de biológicos no mundo. Os produtores nacionais já utilizam esses produtos em 20% da área de soja e em 40% das de cana-de-açúcar e de frutas


Fonte: Folha de S. Paulo

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