Cana deve ocupar área de pastagem

O Ministério das Minas e Energia marcou para terça-feira, em Brasília, o lançamento do Programa RenovaBio 2030. O plano nacional tem o objetivo de aumentar a produção de biocombustíveis no Brasil, principalmente o etanol, para que o País cumpra acordos internacionais de diminuição das emissões de gases de efeito estufa (leia texto).
A medida deve ter impacto direto na economia de Jaú e da região, onde existem áreas com cana-de-açúcar e usinas que fazem a moagem da matéria-prima. Uma das preocupações é que a ampliação da lavoura da cana atinja áreas destinadas ao plantio de alimentos, como grãos.

Para o presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) e da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Eduardo Vasconcellos Romão, essa possibilidade está descartada.
Romão diz que 40% do território agrícola existente no Estado de São Paulo são destinados à atividade pecuária, especialmente a extensiva. Dessa forma, a cana ocuparia terras onde há criação de gado.

Por outro lado, os bovinos podem ser criados de forma mais intensiva, numa área menor. Romão, que estará presente no evento em Brasília, destaca também que novas tecnologias permitem incremento da produtividade de cana por hectare.
O secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, ressalta que a cana é plantada em áreas onde antes havia pasto no Triângulo Mineiro e nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.
“O primeiro passo é aumentarmos a produtividade onde já existe cana”, diz o secretário. “O próximo passo é ocuparmos áreas onde há pastagem. Mas para que esses investimentos se concretizem é preciso que haja uma sinalização clara do governo federal no setor de biocombustíveis.”

Capitalização
Política de combustíveis praticada no governo da presidente Dilma Rousseff “segurou” o preço da gasolina para não haver impacto na inflação. O resultado foi o achatamento no preço do etanol; bom para o consumidor que abastece com esse combustível, mas ruim para as empresas.
Segundo Jardim, 30 usinas no Estado de São Paulo e 50 no País todo paralisaram as atividades. O secretário menciona que a atual política de preços permitiu que o setor pudesse se capitalizar, mas não ao ponto de acumular recursos para superar as dívidas anteriores.
Por esse motivo, os investimentos nas áreas agrícola e industrial virão somente se houver uma política clara do governo federal. “A iniciativa privada está reticente porque carrega o ônus dos últimos anos e que traz sequelas ainda hoje”, comenta Romão, da Orplana e da Associcana. “O governo federal terá de provar que quer chegar a esse resultado.”


Fonte: Jornal Comércio do Jahu

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