Parceria com Nasa abre novo nicho ao plástico da Braskem

Maior fabricante de resinas termoplásticas das Américas, a Braskem conquistou recentemente um novo e inusitado nicho de mercado: o de peças e ferramentas produzidas no espaço. Por meio de uma parceria com a Made In Space, startup americana que desenvolve impressoras 3D para operação em gravidade zero e fornecedora da Nasa (National Aeronautics and Space Administration), a petroquímica brasileira está fornecendo o poliletileno "verde" usado na confecção desses itens na Estação Espacial Internacional (ISS, do inglês International Space Station).
A resina produzida a partir de etanol de cana-de-açúcar no polo petroquímico de Triunfo (RS), conta o diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem, Patrick Teyssonneyre, está abastecendo a primeira impressora comercial 3D alocada no espaço, a Additive Manufacturing Facility (AMF), operada por astronautas. "A Made In Space é a primeira empresa a trabalhar com manufatura no espaço e dá muito orgulho ver o país participar de uma iniciativa dessas", afirma o executivo.
Um foguete levando suprimentos e o polietileno verde brasileiro partiu em 22 de março rumo à ISS. Em setembro, foi impressa a primeira peça, um conector de mangueiras de irrigação. Outros dois modelos de peças já foram produzidos, entre os quais um coletor de amostras. Os termos do contrato firmado pela Braskem com a Made In Space estão sujeitos a um acordo de confidencialidade, mas Teyssonneyre adianta que outros polímeros, inclusive de fonte petroquímica, podem ser contemplados.
A aproximação entre as empresas teve início após um pesquisador da Braskem identificar a contratação da startup pela Nasa. A Made In Space estava em busca de um fornecedor de matéria-prima plástica em condições bastante específicas de flexibilidade, resistência física e que pudesse ser reciclada e a Braskem trabalhava desde 2007 com uma tecnologia de produção de eteno e polietileno verdes, hoje, a empresa está apta a fazer até 200 mil toneladas ao ano do biopolímero e é a maior fabricante do mundo nesse segmento.
Além disso, explica o executivo, praticamente tudo o que se pesquisa e se desenvolve, quando o assunto é o espaço, é de longo prazo. Nesse sentido, a Nasa busca materiais que possam em algum momento ser encontrados ou produzidos em outros planetas. "O plástico depende do petróleo. Mas o plástico verde deriva da agricultura e esse é um importante foco da Nasa, que já está trabalhando nisso", acrescenta.
Ao longo dos dois últimos anos, Braskem e Made In Space trabalharam juntas em busca do polímero verde e da impressora 3D que atendessem às necessidades do projeto. Boa parte do desenvolvimento se deu no centro de pesquisas de Triunfo. A petroquímica já tinha um polietileno verde com características próximas ao desejado, mas foi necessário ajustar seu filamento à impressora, acrescenta.
O valor do investimento no projeto não é divulgado. Atualmente, o polietileno verde da Braskem é usado em uma série de produtos, com destaque para embalagens. A demanda pelo biopolímero, diz Teyssonneyre, cresce globalmente, impulsionada principalmente pela estratégia de sustentabilidade das empresas, especialmente as grandes marcas de bens de consumo.


Fonte: Valor Econômico

Rua Caraguatatuba, 4.000 Bloco 2 / CEP 14078-548 / JD Joquei Clube / Ribeirão Preto / SP

16 3626-0029 / 3626-0241 / contato@assovale.com.br

Criação de sites GS3