Produtos da cana podem reduzir mortes por poluição na África e Ásia

Além de gerar desenvolvimento econômico, principalmente nas áreas rurais, a expansão da produção e uso de etanol e de energia elétrica renovável produzida a partir da biomassa da cana também pode salvar vidas em algumas das nações mais carentes do planeta, onde a mortalidade relacionada com a emissão de gases de efeito estufa atinge índices preocupantes.

Citando um recente estudo do Banco Mundial, no qual se constata que 87% da população destes países está exposta a níveis alarmantes de poluição do ar, o diretor executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Eduardo Leão de Sousa, exalta a importância da atividade canavieira como um importante vetor de desenvolvimento sustentável, em especial na África subsaariana e na Ásia.

“De forma direta, o relatório do Banco Mundial atribui à queima de combustíveis fósseis quase que a integralidade da culpa pelas altas concentrações de poluentes e os seus impactos à saúde em regiões pouco desenvolvidas do globo. Ocorre que, ironicamente, a maior parte dos países africanos e do Centro-Sul asiático afetados por esta situação apresenta forte aptidão agrícola para produzir biocombustível e bioeletricidade”, afirma.

Para Eduardo Leão, ampliando a participação destes dois produtos em suas matrizes energéticas, africanos e asiáticos poderiam, nos curto e médio prazos, conciliar redução da dependência de petróleo, na maioria das vezes importado, com o aumento de bem-estar social. Além disso, o incremento da produção de cana nestes locais ajudaria na consolidação de um mercado mundial de etanol.”

Segundo o trabalho "O Custo da Poluição do Ar" (“The Cost of Air Pollution: Strengthening the Economic Case for Action”), fruto de uma parceria entre banco Mundial e o Instituto de Métrica e Avaliação em Saúde da Universidade de Washington (IHME), as populações destes dois continentes são as que mais sofrem doenças cardíacas e respiratórias ocasionadas por altas quantidades de poluentes na atmosfera. Destaque para a presença de material particulado fino (MP2,5), um conjunto de substâncias nocivas que mais provocam danos à saúde.

O sul asiático teve, em 2013, o maior número de mortes por habitantes em função de problemas relacionados diretamente à poluição (106 por 100.000). Em seguida aparecem a porção central do continente e do Pacífico (99 por 100 mil) e, na terceira posição, a África subsaariana (64 por 100.000). Na América Latina e do Norte, onde Brasil e Estados Unidos representam quase a totalidade do mercado de etanol, a relação de óbitos é a menor de todas (29 por 100.000).

Ao todo, os dados levantados pelo Banco Mundial indicam que 5,5 milhões morreram prematuramente por mazelas provocadas pela poluição ambiental, principalmente crianças e idosos. Em ternos de anos de vida produtiva perdidos, significa dizer que o mundo engoliu um prejuízo de US$ 225 bilhões em 2013.

Estudo brasileiro

Na linha do levantamento divulgado pelo Banco Mundial, o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) publicou há dois anos um estudo contendo os gastos na rede pública decorrentes de problemas respiratórios e cardiovasculares associados ao uso de combustíveis fósseis em oito regiões metropolitanas, que juntas congregam mais de 50% da população urbana do País.

A conclusão foi de que em 2014, graças à adoção do biocombustível da cana evitou 1.400 mortes e mais de 9.000 internações anuais provocadas pela utilização apenas da gasolina nos segmentos de transporte e indústria, somente no município de São Paulo. Isso representou uma economia de aproximadamente R$ 430 milhões para o sistema de saúde pública e privada naquele período.

Atualizado em 2015, para as oito maiores regiões metropolitanas do País, o trabalho revelou que nos próximos quatorze anos, o aumento do uso do etanol dos atuais 28 bilhões de litros anuais para cerca de 50 bilhões de litros – uma das metas assumida pelo Brasil na Conferência do Clima, em Paris – evitaria a morte de quase 7 mil pessoas no período, poupando gastos de até US$ 23 bilhões no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para baixar o estudo do Banco Mundial, clique aqui.

Para baixar o estudo da USP, clique aqui.


Fonte: UNICA

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