Unica comemora ratificação do Acordo de Paris

Para a instituição, com a homologação do Acordo de Paris pelo presidente Michel Temer, o Brasil dá um passo crucial rumo à chamada economia de baixo carbono.

Na manhã da segunda-feira, 12 de setembro, o presidente Michel Temer ratificou o Acordo do Clima em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília. Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), presente na cerimônia de assinatura do documento, trata-se de um fato histórico. Segundo nota enviada para a imprensa, a Unica comemora que o País “finalmente transformou intenções em compromissos legais”.

De acordo com o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão de Sousa, a proposta brasileira de combate às mudanças climáticas foi uma das mais arrojadas devido ao enorme potencial que o País apresenta em relação às fontes energéticas não poluentes.

“Com a aprovação final do Acordo, estamos mostrando à sociedade brasileira e ao mundo que podemos ser protagonistas neste processo de transição para um desenvolvimento sustentável. De agora em diante, temos que fazer a lição de casa e elaborar um plano ambicioso para a efetiva implantação das metas previstas para 2030. Para que isto ocorra, os investimentos precisam ser iniciados o quanto antes”, avalia Eduardo Leão.

O Acordo de Paris, celebrado na capital francesa em 12 de dezembro de 2015 e posteriormente assinado em Nova York, no dia 22 de abril deste ano, tem o objetivo de limitar o aumento da temperatura média global abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais. Para isso, determina metas individuais de cada país para a redução das emissões de gases de efeito estufa. O Acordo só entrará em vigor depois que 55 países, que juntos representem o total de 55% das emissões globais apresentarem seus instrumentos de ratificação.

No caso do Brasil, a proposta é reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025 e de 43% até 2030 (com base nos níveis de 2005). Tais metas incluem a maior participação de fontes renováveis na matriz energética, tais como a energia elétrica gerada a partir da biomassa, com previsão de crescimento de mais de 300% em relação a 2014, e do etanol, cujo consumo estimado no País passará dos atuais 28 bilhões de litros por ano para mais de 50 bilhões em 2030.

Aspas para o etanol
Durante evento no Palácio do Planalto, o ministro do meio ambiente, Sarney Filho, ressaltou “o papel fundamental dos biocombustíveis, especialmente do etanol de cana, para garantir o cumprimento das metas do plano brasileiro de combate às mudanças climáticas”.

Na mesma linha, o atual ministro das relações exteriores, José Serra, também alertou sobre os benefícios econômicos e socioambientais do biocombustível sucroenergético, defendendo que “o etanol deve tornar-se uma commodity global, sendo produzido no mundo todo”.

Também presente no evento, o ex-deputado e atual diretor executivo do Centro Brasil no Clima (CBC), Alfredo Sirkis, criticou o subsídio à gasolina em detrimento de medidas de apoio ao etanol no Brasil. De acordo com o especialista, o País deixou de investir em programas para estimular e tornar mais competitivo o etanol, como o Proálcool, por exemplo.

O ministro da agricultura, Blairo Maggi, que recentemente criticou o setor de etanol por depender de subsídios do governo, não estava presente na cerimônia.


Fonte: UNICA.

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