Em debate com fornecedores de cana, Arnaldo Jardim enfatiza harmonia da agricultura com o meio ambiente

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, reafirmou a representantes das associações de produtores de cana-de-açúcar ligados à Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), o compromisso da Pasta em promover a harmonia entre a agricultura e o meio ambiente, durante o XVI Encontro Anual de Produtores de Cana & Caminhos da Cana, realizado no dia 26 de agosto de 2016, na 24ª Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética, a Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho.
“Estamos em repactuação com a Secretaria do Meio Ambiente para reestabelecer o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenérgetico Paulista, firmado com a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica). São Paulo também foi um dos Estados que teve maior adesão no preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), o que nos permite agora promover a regularização ambiental das propriedades. Estamos seguindo as diretrizes do governador Geraldo Alckmin de harmonizar o meio ambiente e a produção”, afirmou o secretário.
Na ocasião, os representantes das associações debateram o futuro do setor e as perspectivas de aumento da produtividade e renda no segmento sucroalcooleiro e no agronegócio brasileiro frente ao mercado internacional.
“Não há outra oportunidade de inserção do Brasil no mundo senão por meio da agricultura. Não é algo que seja necessário combinar com os outros países, pois eles já estão aguardando a atuação do País para isso”, disse o especialista em planejamento e gestão estratégica, Marcos Fava Neves, que palestrou sobre o tema.
Para o especialista, a geração de eletricidade a partir do bagaço da cana, é um elemento de fácil entrada no mercado internacional. “Em 10 anos, a biomassa ultracompactada de cana será o produto mais nobre que teremos no setor, bem como outras matérias verdes. Ainda temos muitos bilhões que podem ser trazidos para o País”, afirmou.
Orplana
Reunindo 34 associações que representam mais de 18 mil fornecedores de cana nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás, a Orplana apresentou aos participantes do encontro o processo de reestruturação da entidade, com o objetivo de garantir maior legitimidade na defesa dos interesses do setor.
De acordo com o gestor executivo da Orplana, Celso Albano de Carvalho, a partir de um planejamento estratégico, a organização detectou a necessidade de regionalizar as atividades. “Queremos ser reconhecidos como principal porta-voz dos produtores de cana de todo o Brasil, convergindo as necessidades de todos os associados. Sem conhecer as fragilidades e soluções regionais, não é possível fazer este trabalho”, disse.
Conforme adiantou o gestor, o programa Caminhos da Cana 2016/2017, realizado em parceria com o Instituto Agronômico (IAC), ligado à Secretaria, possibilitará à Orplana fazer uma análise de toda a região onde a associação estiver inserida e não apenas no município. “Essa mudança provoca, pode gerar uma inquietude e importantes transformações”, avaliou Carvalho.
Desafios do setor
Lideranças das associações paulistas de fornecedores de cana se revelaram otimistas com a retomada do setor, após um período de crise, que resultou no fechamento de 80 usinas em todo o Estado.
Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste) e diretor superintendente da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana), Manoel Ortolan, a retomada ocorreu com a melhora nos preços do açúcar, álcool e cana, constatada a partir de outubro de 2015, assim como na soja, milho e amendoim, culturas rotacionadas com a cana. “A questão de preços já proporcionou muitas melhorias, mas ainda há insegurança dos compradores devido à questão política”, ressaltou.

Para Ortolan, o maior desafio é promover uma recuperação na produtividade média, que caiu nos últimos anos devido a questões climáticas e escassez de recursos. “Também precisamos absorver melhor as novas tecnologias disponíveis, como o sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), desenvolvido pelo IAC”, avaliou.
Conforme explicou Ortolan, o desafio aos pequenos produtores é manter a produção em escala, principalmente devido ao processo da mecanização da colheita. O incentivo à pesquisa contribuirá para atrair ganhos significativos de produtividade. É preciso investir na cana de três dígitos, trabalhar a redução de custos e ganhos de eficiência e qualidade na gestão”, finalizou, ressaltando que a 24ª edição da Fenasucro é um divisor de águas para a recuperação do segmento.
O presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi) e do Arranjo Produtivo Local do Álcool (Apla), José Coral, atribuiu o período de dificuldade à falta de políticas de incentivo ao etanol e aos cortes de financiamentos que ocasionaram o fechamento das usinas. “Nos últimos cinco anos, tivemos medidas de maior prestígio ao diesel, pré-sal e petróleo, em detrimento do etanol, que representa um impacto muito menor ao meio ambiente. Agora temos a esperança de que a situação seja revertida. Estamos no mercado para produzir, mas precisamos retomar a confiança dos compradores, equalizar os custos”, definiu.
Na opinião do superintendente da Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba (Socicana), José Guilherme Ambrósio Nogueira, os baixos preços no setor fizeram com que os produtores não investissem mais na compra de implementos e máquinas, e trouxeram muita apreensão.
“Para que a confiança seja retomada, é necessário colocar regras e políticas claras nas questões jurídica e trabalhista. O produtor sabe fazer, conhece a parte técnica, mas ainda pode se aprimorar. Por isso, a gestão, o apoio jurídico gerencial e de governança são fundamentais para garantir a sua sobrevivência”, disse o representante da organização de Guariba.


Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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