Lei exige motores menos poluentes nas máquinas agrícolas em 2017

Os fabricantes de máquinas agrícolas se antecipam à nova legislação de emissões de poluentes e colocam à disposição do mercado equipamentos mais eficientes e que agridem menos o meio ambiente.
Isso para atender à Lei denominada PROCONVE MAR-1 (Máquinas Agrícolas e Rodoviárias - Fase 1), que entra em vigor em 1º de janeiro de 2017 e estabelece, a partir de critérios técnicos, um limite máximo de emissão de poluentes às máquinas agrícolas e de construção (rodoviária) novas, nacionais e importadas com potência igual ou maior de 75 kW.
Portanto, equipamentos com essa potência (igual ou maior de 75kW) não poderão emitir mais do que 5,0 g/kWh de CO (monóxido de carbono), 4,0 g/kWh de HC + NOx (hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio) e 0,3 g/ kWh de MP (material particulado Similar à norte-americana Tier 3 ou à europeia Stage IIIA, a lei faz parte do PROCONVE (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), criado em 1986 pelo CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), que estabeleceu diretrizes, prazos e padrões legais de emissão para diferentes categorias de veículos automotores.
Para os veículos leves e pesados, a fase 1 do programa começou a valer a partir de 1989. A segunda etapa, de acordo com a Resolução CONAMA 433/2011, se inicia com o PROCONVE MAR-1.
Para atender aos limites da legislação, novas tecnologias devem ser empregadas, tais como: controle eletrônico de injeção; recirculação do gás de escapamento ou EGR (Exhaust Gas Recirculation), em inglês; redução catalítica seletiva ou SCR (Selective Catalityc Reduction), em inglês. De acordo com a ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), se comparada com motores não certificados ou não regulamentados, a redução da poluição de material particulado da fase MAR-1 pode chegar a 85% e a de NOx (óxidos de nitrogênio) até 75%.
Empresas engajadas na nova legislação
A FPT Industrial, responsável pelos motores à diesel de todos os produtos do Grupo CNH Industrial, já possui uma linha que atende às novas exigências.
A companhia é a produtora com maior quantidade de motores homologados em conformidade com a legislação MAR-I no mercado sul-americano. O lançamento oficial do portfólio Tier 3 da empresa foi apresentado na Agrishow deste ano.
“Levamos para a feira, toda a linha de produtos que já atendem as novas normas de emissões. Dentro do projeto, a FTP desenvolveu 49 motores de todas as famílias de propulsores que são específicos para utilização no mercado agrícola e de construção, sendo que a companhia já conseguiu a validação de 30 motores em conformidade com a nova legislação”, disse Marco Aurélio Rangel, presidente da FPT Industrial para a América Latina, afirmando que os outros 19 devem ser homologados até o final do ano.
Segundo o executivo, o processo de desenvolvimento e testes dos motores menos poluentes envolveu mais de 12 meses de trabalho conjunto da equipe de engenheiros do Centro Técnico da FPT e clientes.
Os novos motores menos poluentes da marca já podem ser encontrados na nova linha de colheitadeiras e tratores da CNH Industrial, além de máquinas de construção, geradores e sistemas de irrigação de diversos fabricantes. Como por exemplo, a linha Axial-Flow Série 130, da Case IH, composta pelas colheitadeiras AF4130 e AF5130, que são equipadas com o motor BEF6, e os modelos AF6130 e AF7130, equipados com o Cursor-9, já homologados para atender à norma PROCONVE/MAR-I no mercado brasileiro.
As máquinas da New Holland também têm motores FPT Industrial, como também nos tratores Landforce e Landpower, da Landini, empresa do Grupo Argo Tractors, destinados ao mercado brasileiro. A Jimenez Irrigação, empresa que atua principalmente no mercado nacional de sistemas de bombeamento e geração de energia, como a Stemac, o Grupo Bambozzi e a Lintec também equipam grande parte de seus geradores com os motores da FPT Industrial.
Cronograma da nova legislação MAR-1
A fase MAR-1 entrou em vigor de forma escalonada. Para as máquinas de construção lançadas no mercado de potência igual ou superior a 37 kW (50 cv) até 560 kW (761 cv), iniciou-se em 2015. Já para todos os modelos com potência igual ou superior a 19 kW (25 cv) até 560 kW (761 cv), começa a partir de 1º de janeiro de 2017.
Para máquinas agrícolas, a legislação começa a valer no dia 1º de janeiro de 2017, para todos os modelos com potência igual ou superior a 75 kW (101 cv) até 560 kW (761 cv), e em 2019, para todos os modelos com potência igual ou superior a 19 kW (25 cv) até 75 kW (101 cv).
Brasil tem laboratório de controle de emissões focado em máquinas agrícolas
A mudança vem sendo adotada por outras empresas também, como a AGCO, detentora das marcas Massey Ferguson e Valtra, que implantou um laboratório de controle de emissões, dentro de sua planta em Mogi das Cruzes-SP, onde produz motores e tratores.
O projeto, o primeiro dentro de uma fábrica de máquinas agrícolas, no Brasil, conta com tecnologia de ponta, proporcionando autonomia para o grupo desenvolver e homologar motores que irão atender aos níveis de emissão MAR-1. A Investe SP, ligada à secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, foi parceira na implantação do laboratório.
Segundo Ricardo Huhtula, diretor da AGCO Power o projeto fomenta a sustentabilidade e diminui a emissão de Óxido de Nitrogênio (NOx) dos motores, colaborando com o meio ambiente através de ações sustentáveis.
“O investimento num laboratório deste porte consolida a importância de reflexão sobre o tema e reforça a posição do grupo em contribuir com a evolução do controle de emissões, além de gerar autonomia para a linha de montagem, uma vez que faz o teste e homologa o motor dentro da própria fábrica”, explica Huhtala, que dá mais detalhes sobre o investimento, nesta entrevista exclusiva à Canavieiros. Confira:
Revista Canavieiros: No ano passado, a AGCO anunciou o investimento de R$ 35 milhões para a implantação do 1º laboratório de controle de emissões. Este laboratório já está em funcionamento? Ele tem o conceito de prestar serviços a outras empresas ou atenderá somente à demanda do Grupo AGCO?
Ricardo Huhtala: As obras foram concluídas recentemente e o laboratório está aguardando a certificação da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) para iniciar a operação comercial. O escopo inicial do laboratório é dar suporte aos projetos da AGCO, mas temos capacidade para prestar serviços para terceiros.
Revista Canavieiros: A implantação de um laboratório de controle de emissões dentro de uma fábrica de máquinas agrícolas no Brasil é pioneira. Qual a importância deste fato e o que trará de benefícios para o grupo?
Huhtala: A AGCO é pioneira neste tipo de trabalho no Brasil, pois outros laboratórios existentes são mais focados na prestação de serviços ou desenvolvimento de motores para ciclos rodoviários.
Revista Canavieiros: Quais são as atividades executadas no laboratório? Ele terá capacidade também para realizar testes em diferentes níveis de emissão?
Huhtala: A principal atividade está voltada à certificação dos motores AGCO Power, para que estejam de acordo com a legislação brasileira MAR-1, equivalente ao nível europeu Tier 3.
Revista Canavieiros: O que muda nos equipamentos para atender aos novos limites de emissões? Esta tecnologia exige maior precisão e controle dos processos e da manutenção?
Huhtala: A mudança básica está na estratégia de combustão de cada motor. Cada fabricante escolherá um modelo de tecnologia mais apropriado para redução das emissões de gases, mas, em termos de manutenção e controle, nosso produto não demandará nenhum tipo especial de cuidado.
Revista Canavieiros: Com relação ao combustível, é necessária alteração para atender aos limites de emissões?
Huhtala: Os produtos da AGCO estão aptos para serem aplicados com o atual diesel S500, não havendo qualquer necessidade de adaptação.
Revista Canavieiros: Todos os produtos desenvolvidos pela marca estão adequados para a nova legislação?
Huhtala: A partir de 1º de janeiro de 2017, as aplicações acima de 75 kW deverão atender à norma MAR-1. Estamos nos adequando para atender a esta nova certificação.
Revista Canavieiros: Qual é a data limite para a compra de um equipamento não certificado?
Huhtala: A data limite está voltada somente para a fabricação. Até 31 de dezembro deste ano, ainda poderão ser montadas máquinas com potência acima de 75 kW (não emissionadas), como dito anteriormente. Depois disso, para esta faixa de potência, somente motores que atendam à norma poderão ser fabricados.
Revista Canavieiros: Haverá adicional de preço das máquinas em relação aos anteriores?
Huhtala: O preço do produto é ligado ao seu valor agregado, devido às novastecnologias, que exigem altos investimentos em processos de pesquisa e desenvolvimento. Hoje, os empreendedores rurais querem produzir mais, melhor e em menos tempo, com máquinas cada vez mais eficientes e econômicas.


Fonte: Andréia Vital – Revista Canavieiros – Edição 122

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