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Programa Cana do Instituto Agronômico tem ação inédita com pequeno produtor | Assovale - Associação Rural Vale do Rio Pardo

Programa Cana do Instituto Agronômico tem ação inédita com pequeno produtor

O Programa Cana IAC, do Instituto Agronômico (IAC), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, dá um passo inédito e inovador na transferência de tecnologias a pequenos produtores de cana-de-açúcar. O trabalho, chamado Projeto de Validação do Sistema de Mudas Pré-Brotadas (MPB), deverá ter impactos diretos na qualidade dos canaviais cultivados por pequenos fornecedores de cana e mudar os rumos da adoção de pacotes tecnológicos gerados pela ciência agrícola paulista.

A ação envolve a transferência do chamado Kit de Pré-Brotação de Mudas, composto por quatro modernas variedades desenvolvidas pelo IAC, somado a um conjunto de ferramentas e ao treinamento dos produtores, durante 24 meses. A atividade é uma parceria com a Coplana (Cooperativa Agroindustrial) e a Socicana (Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba), que irão selecionar oito canavicultores, dentre os seus associados, para receberem o treinamento para produzir as próprias mudas.

O Projeto de Validação do MPB será lançado em evento, nesta sexta-feira, 13 de março de 2015, a partir das 8h30, em Guariba, interior paulista. O Secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Arnaldo Jardim, participará do encontro. Jardim ressalta a importância de os órgãos ligados à geração e transferência de tecnologia do Estado reunirem competências a fim de incentivar os setores de produção na adoção das soluções geradas pela pesquisa. “O Governo paulista vem reforçando os investimentos nas estruturas de suas instituições a fim de equipá-las com os melhores recursos, muitas delas estão de acordo com normas internacionais de procedimentos laboratoriais. Esse aparato, somado à qualidade de nossas equipes, atrai a credibilidade da esfera privada e daí resulta em importantes parcerias, como se dá neste caso do Programa Cana IAC”, afirma Arnaldo Jardim.

O secretário ressalta que os resultados da pesquisa paulista estão difundidos em todo o agronegócio nacional. “O setor sucroenergético reflete, pela extensão do negócio, os ganhos obtidos a partir da tecnologia incorporada, mas é importante destacar que os sistemas desenvolvidos pela Secretaria de Agricultura, por meio de suas unidades de pesquisa e extensão, chegam às diversas cadeias, inclusive aos nichos de mercado”, diz Jardim.

Segundo o pesquisador e líder do Programa Cana IAC, Marcos Guimarães de Andrade Landell, o Programa Cana IAC tem por princípio a interação com o setor de produção e para isso mantem extensa rede de experimentos em todo o Brasil, em cerca de 500 pontos em onze Estados. Este novo Projeto, porém, diferencia-se por transferir, além de variedades, tecnologia e informação de modo bem. “Elaboramos cada passo com base no conhecimento que temos do universo do setor sucroenergético e, sobretudo, cientes das realidades existentes nas grandes estruturas e nas pequenas propriedades. Conhecer as dificuldades é fundamental para propor a solução adequada, na medida para ser efetivamente incorporada no cotidiano da canavicultura”, avalia Landell, que irá palestrar no evento.

O Projeto de Validação do MPB tem dois propósitos diretos: oferecer condições para que o fornecedor de cana retome a gestão do seu negócio e reduzir o tempo de adoção das novas variedades desenvolvidas pela pesquisa. Com a transferência de informações e de pacote tecnológico pretende-se contribuir para a independência do canavicultor em relação à produção de mudas. No modelo vigente, o fornecedor de cana tem grande dependência em relação à estrutura das usinas, caracterizadas por grandes escalas em suas dinâmicas. “O fornecedor tem pequena escala e essa disparidade entre um e outro cria ruídos na relação comercial”, explica o pesquisador do Programa Cana IAC, Mauro Alexandre Xavier.

Outra grande contribuição dessa ação está na redução do tempo para o agricultor adotar as novas variedades desenvolvidas pelo IAC. Esse resultado deverá ser () alcançado graças ao modelo desenhado pelo Programa Cana IAC: o canavicultor receberá o material genético das mais recentes variedades IAC e ele mesmo vai multiplicar as mudas, com garantia da autenticidade varietal.


Atualmente, o agricultor não consegue cultivar variedades específicas porque não tem acesso a mudas com identidade varietal. Ele planta o que está disponível nos viveiros das usinas. Ao administrar os próprios viveiros, apoiado no sistema MPB, que multiplica mudas com padrão de qualidade, ele poderá levar a campo efetivamente mudas das variedades desejadas, antecipando em até cinco anos a adoção dos materiais.

A Coplana e Socicana são parceiras do Programa Cana IAC há anos. Nesse caso específico, somam-se geração de soluções tecnológicas do IAC com o poder de disseminação das entidades representativas. “A colaboração do Programa Cana IAC está alicerçada na pesquisa, por meio do lançamento criterioso de variedades de cana e de novas tecnologias para o manejo da cultura. A Coplana e a Socicana terão o papel de dar suporte e difundir essas tecnologias do Programa Cana IAC, principalmente através da capacitação de recursos humanos e assistência técnica diferenciada”, diz o presidente da Coplana, José Antonio Rossato Junior. Esse Projeto faz parte da iniciativa +cana, mais produtividade no canavial, proposta pela Coplana.
A forma de acessar esse Programa deve ser por meio de associações e cooperativas.

Por que agir diretamente junto ao pequeno produtor?

Graças à consistente experiência, a equipe do Programa Cana IAC avaliou que o tempo para o produtor adotar as novas variedades tem sido superior ao prazo necessário para se chegar ao desenvolvimento uma nova variedade. “Isso nos alertou para agir no sentido de quebrar essa distância entre a pesquisa e a adoção”, diz Xavier.
A relevância da transferência de tecnologia é praxe no IAC. “Dentro do Instituto Agronômico, a orientação é empenho não apenas na geração das tecnologias, mas também no esforço de levá-las aos usuários ou não faz sentido desenvolvermos respostas para a agricultura”, diz o Diretor-geral do IAC, Sérgio Augusto Morais Carbonell.

O líder do Programa Cana IAC assegura que MPB já está devidamente adotado pelas usinas, que tão logo compreenderam as vantagens da tecnologia, inseriram-na em seus núcleos de produção. No interior paulista, o MPB está nas usinas São Martinho, em Pradópolis, e Abengoa, em Pirassununga e São João da Boa Vista. Em solos goianos, está na Jales Machado, em Goianésia, na Goiasa, em Goaituba, e na usina Denusa, em Jandáia. Também está na usina Miriri, em João Pessoa, na Paraíba. Usinas da Bunge, com unidades no Norte paulista e Tocantins, também já adotaram.

Os pesquisadores comentam que as usinas reúnem condições para adaptação de suas estruturas a fim de adotar novas tecnologias. Já os pequenos produtores precisam de apoio. Por isso a ideia de oferecer o Kit de Pré-Brotação de Mudas, que funcionará como facilitador do processo.

Constatada essa realidade, o Programa Cana IAC decidiu dar um passo em direção ao pequeno produtor. Foi aí que nasceu o Kit de Pré-Brotação de Mudas. Cada produtor irá receber um lote de mudas com 1.600 plantas, sendo 400 de cada variedade: IAC 91-1099, IACSP95-5000, IACSP95-5094 e IACSP97-4039. O produtor irá conduzir esse material, em viveiro, durante seis meses, sob a orientação do IAC. Na segunda etapa do trabalho, o produtor irá receber o kit de ferramentas, com um cortador de minirrebolos, um equipamento que irá tratar quimicamente esse material genético e um protótipo da câmara de brotação. Nesta segunda fase, terá início a replicação das variedades recebidas. O trabalho de treinamento será concluído em dois anos. O Projeto será usado também para validar o Kit de Pré-Brotação de Mudas diretamente junto aos usuários, em suas realidades.

Ressalta-se que um dos grandes benefícios do sistema MPB está na redução da quantidade de mudas que vai a campo. Para o plantio de um hectare de cana, o consumo de mudas cai de 18 a 20 toneladas, no plantio convencional, para 2 toneladas no MPB. “Isso significa que 18 toneladas que seriam enterradas como ‘mudas’ irão para a indústria produzir etanol e açúcar, gerando ganhos”, explica Xavier. Segundo o pesquisador, toda a estrutura do MPB está alicerçada em variedades modernas porque não há benefícios em multiplicar mudas de materiais antigos.



Programa



8h - Recepção

8h30 - Abertura: Parceria Coplana, Socicana e IAC para Inovação em Cana

José Arimatéa Calsaverini - Superintendente da Coplana

Exibição do filme sobre a Iniciativa +cana

9h - Novos caminhos para a canavicultura

Pesquisador Marcos Guimarães de Andrade Landell - Diretor do Centro de Cana do Instituto Agronômico (IAC)

9h40 - Lançamento da Iniciativa +cana:

Produção de MPB em Polos Regionais

José Antonio Rossato Junior Presidente da Coplana, Conselheiro da Socicana

10h15 +cana para a Sustentabilidade da Produção

Arnaldo Jardim Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

10h45 Inscrição dos produtores

Visita às Estações Tecnológicas

Empresas de Variedades de Cana (Área externa da Socicana)

12h Encerramento


Fonte: Assessoria de Imprensa

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